A produção de um novo cenário no século XXI: sexualidade masculina e saúde pública

O panorama descrito até agora contrasta fortemente com os processos estabelecidos na virada do século XXI .século, que envolvem novos investimentos médico-estatais consolidados e associados à medicalização da masculinidade. Este fenômeno seria exemplarmente representado pela criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde Humana (PNAISH) formalmente implementada pelo governo brasileiro em agosto de 2009 e marcada pela pressão dos urologistas contra o governo e para a sociedade civil, como evidenciam as diversas campanhas públicas e a divulgação na mídia. Sua ênfase recai sobre a noção de saúde sexual e a promoção de diagnósticos recentes de disfunção sexual e andropausa (Déficit Androgênico Relacionado à Idade).

 

Tanto quanto o resultado de uma série de interesse entre os principais agentes que contribuíram para a sua criação encontra um grupo de urologistas muito ativos representados publicamente pela Sociedade Brasileira de Urologia. Desde 2004, ele fez campanha e pressionou certos setores do governo e parlamentares, conselheiros de saúde e outras sociedades médicas a desenvolver uma política nesse sentido. Em 2008, essa iniciativa culminou com a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre a SBU e o Ministério da Saúde para promover a assistência humana no sistema público de saúde, por meio do orientação de médicos e divulgação de campanhas de informação, a primeira das quais, entre julho e setembro de 2008, foi dedicada à disfunção erétil.

Além da discussão mais profunda em torno PNAISH; Gomes 2011;e implementação de processos contemporâneos de atenção especial para a saúde do homem, alvo de uma série de estudos (Schreiber, Gomes Couto 2005), o objetivo é aqui enfocar de forma privilegiada as associações entre sexualidade e medicalização. Para fazer isso, vamos começar com uma frase que se tornou cada vez mais recorrentes e marcou os últimos acontecimentos em torno da medicalização da saúde masculina, pelo menos em relação a chamadas feitas por urologistas e suas entidades associativas : o slogan “Saúde sexual como portal para a saúde humana”. Não há dúvida de buscar a origem, criação, ou até mesmo as intenções primárias de esta fórmula, mas para observar como é cada vez mais utilizado e é usado para promover um tom específico para o que é a articulação entre sexo, saúde e medicalização.

Leia mais notícias sobre impotência.

Em 2008, essa ideia foi comumente propagada em reportagens da imprensa, materiais desenvolvidos por empresas farmacêuticas, conferências médicas e eventos públicos. Esse tema aparece em uma das revistas mais populares , como Veja e Istoincluindo, por exemplo, a seção especial de 19 de março intitulada “A Revolução Azul: dez anos após o lançamento do Viagra, a impotência sexual não é mais um fantasma masculino”. Entre os principais benefícios do Viagra mencionados, vamos mencionar uma maior facilidade de diagnóstico de hipertensão e diabetes, problemas dos quais um dos sintomas pode ser a disfunção erétil. Este artigo enfoca a divulgação do tópico da disfunção erétil e o uso do Viagra como porta de entrada para a saúde humana. A revista Isto É09 de julho de 2008, discute a criação da PNAISH, destacando o argumento de que a disfunção erétil pode levar a perturbações na vida dos homens e também indicam a presença de outros problemas de saúde, como doenças cardíacas. vascular. No relatório do jornal, o tom é o mesmo, como mostrado pelas declarações do urologista José Carlos de Almeida, então presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, para quem a disfunção eréctil é raramente a causa um problema, mas basicamente a consequência de outras doenças.

Nos congressos médicos, esse tema também foi destaque, e nas apresentações e materiais elaborados pelos laboratórios farmacêuticos. A empresa Bayer Schering Pharma, que estava particularmente comprometida em se promover como o “primeiro laboratório com uma gama voltada para a saúde humana”, distribuído no Congresso Internacional de Urologia realizado no Rio de Janeiro. de Janeiro em 2008 e na 10 ªCongresso da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual, realizado em Florianópolis, um documento intitulado “Saúde Sexual como um portal de saúde do homem.” Isto incluiu três itens: “portal de saúde sexual como a saúde humana” Ricardo Meirelles, (Professor de Endocrinologia da Universidade PUC-Rio e presidente do Departamento de Endocrinologia do sexo feminino Andrologia do e Sociedade Brasileira de Endocrinologia Metabólica); “A deficiência de testosterona e disfunção eficaz como componentes da síndrome metabólica”, Farid Saad (Professor Honorário da Universidade Tuah Hang, Indonésia); eCentro de Pesquisa Científica para Inovaçõese líder da filial russa da Sociedade Internacional para o Estudo do Envelhecimento Masculino ). Este documento “reservado à classe médica”, que reforçou a associação entre o desempenho sexual, juventude e saúde humana, foi internamente publicidade cobertor de Nebido, uma injeção trimestral de testosterona indicado para o tratamento da deficiência androgênica ligada à idade

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *